50 organizações e movimentos sociais de todo o país levam ao TSE manifestação contra censura nas eleições pelas plataformas digitais

Organizações entregam documento nesta sexta-feira (23), em reunião presencial com o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e cobram transparência das plataformas digitais e respeito ao processo eleitoral

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil.

Cinquenta organizações sociais, movimentos populares e sindicatos de diferentes regiões do Brasil assinam uma nota pública que denuncia riscos à liberdade de expressão e à integridade das eleições de 2026. O documento, articulado pelo DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia e outras organizações, será entregue nesta sexta-feira (23), às 16h, em agenda presencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o gabinete do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

A nota chama a atenção para a falta de transparência de plataformas digitais, como Meta, Google e TikTok, na moderação e distribuição de conteúdos; e as decisões do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, que, segundo as entidades signatárias, podem interferir no equilíbrio da disputa eleitoral.

As organizações afirmam que usuários, comunicadores e perfis políticos têm relatado bloqueios de contas, restrições de funcionalidades e redução do alcance de publicações, sem explicações das plataformas. Entre os casos citados está a retirada temporária do perfil da série jornalística Revelando, no Instagram, e a desativação da ferramenta de anúncios da conta oficial da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos dois episódios, a Meta voltou atrás nas decisões, mas não apresentou informações suficientes sobre os motivos das restrições.

Para as organizações, a ausência de transparência dificulta a identificação de possíveis falhas e impede que a sociedade avalie se as regras das plataformas são aplicadas de maneira equilibrada durante o período eleitoral. O documento cobra atuação das autoridades públicas para garantir que as empresas prestem informações sobre seus critérios de moderação e recomendação de conteúdos.

A nota também questiona decisões atribuídas ao presidente do TSE envolvendo conteúdos eleitorais. Um dos episódios destacados é a suspensão de um canal de WhatsApp conhecido como “Exército do Lula”, que reunia mais de três milhões de eleitores. Segundo o documento, a decisão foi revertida pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, responsável pela relatoria do caso, mas voltou a ser adotada por Nunes Marques.

As organizações defendem que medidas contra a desinformação devem se apoiar em provas, justificativas públicas, respeito ao devido processo e proporcionalidade. Para elas, decisões que afetam a circulação de informações eleitorais precisam ser transparentes e observar critérios que preservem a igualdade de condições entre candidaturas.

A entrega da nota ao gabinete de Villas Bôas Cueva busca apresentar as preocupações das organizações e movimentos e cobrar providências para assegurar a liberdade de expressão, a transparência das plataformas e o exercício soberano do voto. O documento defende uma regulação democrática das plataformas digitais, com regras claras para a moderação de conteúdos e mecanismos que permitam questionar decisões das empresas.

▶️ A íntegra da nota está disponível no site do DiraCom: https://diracom.org/nossas-acoes/noticias/contra-a-censura

Assinam a nota:

1. ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais

2. Aqualtune Lab

3. AMNB - Articulação de Mulheres Negras Brasileiras

4. ANA - Articulação Nacional de Agroecologia

5. Associação Fórum Grita Baixada

6. AMARC Brasil - Associação Mundial de Rádios Comunitárias

7. Associação PIDS São Paulo

8. Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

9. Casa da Mulher

10. CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria

11. Cia Vento Minuano

12. Coletivo Raízes do Baobá

13. Coletivo Shireen Abu Akleh de Jornalistas Contra o Genocídio

14. Coletivo Vamos à Luta

15. Comitê de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino

16. EMERGE - Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência

17. Escola de Política e Cidadania ZO Butantã

18. FAOR - Fórum da Amazônia Oriental

19. FENAJ - Federação Nacional de Jornalistas

20. FMAP - Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense

21. FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

22. FRENTEX - Frente Paranaense pela Democratização da Comunicação

23. Grupo de Pesquisa Conflitos Socioambientais, Comunicação e Resistências.

24. Grupo Memória do Jornalismo

25. Instituto Bem Estar Brasil

26. Instituto Brasileiro de Políticas Digitais - Mutirão

27. Instituto Democracia Popular

28. Instituto Soma Brasil

29. Instituto Telecom

30. Instituto Vladimir Herzog

31. Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

32. Laboratório da Qualidade Informativa (Qual-i)

33. Laboratório de Políticas de Comunicação - Universidade de Brasília

34. Minas Ina House

35. MMM - Marcha Mundial das Mulheres (PR)

36. MNU - Movimento Negro Unificado (BA)

37. MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (PR)

38. Nujoc - Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicacão (UFPI)

39. Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (OBCOM)

40. Odonto pela democracia

41. Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político

42. Rede de Mulheres Negras de Pernambuco

43. Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos

44. Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids - Núcleo Bahia

45. Rede pela Soberania Digital

46. Tapajós de Fato

47. Terra de Direitos

48. Universo Educom

Assessoria de comunicação DiraCom

Contato: (41) 99222 5382, com Lizely