Mais de mil jornalistas e comunicadores de todo país assinam manifesto de em defesa da democracia
Documento critica ataques à imprensa pela gestão Bolsonaro, aponta riscos da extrema direita à liberdade de expressão e cobra avanços nas políticas de comunicação
Mais de mil jornalistas e comunicadores de diferentes regiões do país já assinaram, até a tarde desta quarta-feira (21), um manifesto de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. O documento relaciona a disputa eleitoral de 2026 à defesa da democracia, da liberdade de imprensa e do direito à comunicação.
Intitulado “Manifesto de jornalistas e comunicadores/as com Lula”, o texto avalia que o resultado das eleições terá impacto sobre as políticas de comunicação, a regulação das plataformas digitais e as condições para o exercício do jornalismo no Brasil. Os profissionais também apontam riscos associados ao avanço da extrema direita e criticam a atuação da família Bolsonaro em relação à imprensa.
A mobilização ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026, quando o papel das plataformas digitais na circulação de informações e na formação da opinião pública voltou ao centro do debate. Para os profissionais, a atuação de jornalistas e comunicadores é parte da defesa da democracia, mas depende de condições para o exercício profissional sem intimidação e com garantia de liberdade de expressão.
“Não há liberdade de expressão e comunicação plural em quem defende a ditadura e ataca a democracia. Não há exercício do jornalismo em um país autoritário. Por isso, esta não é uma escolha difícil e nos posicionamos aqui para que a sociedade brasileira barre essas ameaças e garanta o futuro da democracia em nosso país.”, aponta um trecho da nota.
Críticas ao governo Bolsonaro
A nota destaca que o período sob comando do ex-presidente foi marcado por ameaças recorrentes aos profissionais e veículos de comunicação. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua base de apoio protagonizaram 1.442 ataques contra jornalistas entre 2019 e 2022, aponta o texto.
Os profissionais alertam, ainda, para a possibilidade de extinção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), já expressada por integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro. Também fazem referência a experiências internacionais, como as políticas do governo de Javier Milei, na Argentina, para apontar preocupações com o enfraquecimento de estruturas públicas de comunicação e com as condições para o trabalho jornalístico.
“A família Bolsonaro se notabilizou por sua visão autoritária, pelo apoio a uma tentativa de golpe de Estado em 2023, que resultou na condenação de Jair Bolsonaro, e por uma agenda de transformação das comunicações e da internet em uma terra de vale-tudo, da misoginia, do racismo e da violação de direitos”, enfatizam.
O manifesto permanece aberto a novas adesões de jornalistas, comunicadores e comunicadoras. Leia e assine: https://www.peticao.online/manifesto_de_jornalistas_e_comunicadoresas_com_lula
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil.

