Diracom reforça mobilização pelo direito à comunicação durante Caravana do FNDC em Belém-PA
Com protagonismo de estudantes da Comunicação da UFPA, mobilização reuniu entidades, professores e movimentos sociais em defesa da democratização da comunicação e contra os abusos das plataformas digitais

Foto: Carol Beraldo
A participação do DiraCom (Direito à Comunicação e Democracia) marcou a Caravana do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) realizada nos dias 28 e 29 de abril de 2026, no Sindicato dos Bancários, em Belém-PA, somando-se à mobilização nacional da Caravana, que tem percorrido estados brasileiros para construir uma plataforma política em defesa da comunicação democrática e contra a hegemonia dos grandes conglomerados midiáticos no país.
A atividade reuniu mais de 130 pessoas inscritas, entre representantes de entidades, movimentos sociais, sindicatos, professores, pesquisadores e estudantes em torno de uma agenda comum: fortalecer a luta por uma comunicação mais democrática, popular e igualitária diante do avanço das plataformas digitais e do poder concentrado das empresas mundiais de tecnologia.
A integrante do Diracom, Cris Cirino, acompanhou a caravana em Belém e destacou a importância do protagonismo dos estudantes de Comunicação da UFPA, que se somaram à mobilização em defesa de uma comunicação mais democrática, plural e comprometida com os direitos da sociedade diante do avanço das plataformas digitais e dos abusos das empresas internacionais de tecnologias.
”A juventude tem papel fundamental na retomada e atualização das lutas travadas por outras gerações em defesa da democratização da comunicação. A presença ativa dos estudantes fortalece a mobilização por uma comunicação mais plural, popular e comprometida com os direitos da sociedade diante do avanço das plataformas digitais”, afirmou.
A Mesa de abertura intitulada “A luta pela democratização da comunicação na atualidade – A velha mídia a serviço da extrema direita no Brasil e as big-techs a serviço do fascismo”, teve como composição Kátia Marko, presidenta do FNDC; Ergon Cugler, pesquisador e conselheiro da Presidência da República; Elaide Martins, professora da faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA); e Altamiro Borges, jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Durante a abertura, a presidenta do FNDC Brasil, Katia Marko, chamou atenção para o poder das grandes empresas de tecnologia na organização do debate público. “Sabemos do poder das big techs e de como ela está articulada com a extrema direita organizada internacionalmente”, afirmou. Para ela, a luta histórica pela democratização dos meios tradicionais de comunicação ganha, hoje, uma dimensão ainda mais urgente com a necessidade de regular plataformas digitais, inteligência artificial e data centers.
Representando o Sindicato dos Bancários, Gilmar dos Santos, também reforçou a centralidade da comunicação para a organização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Segundo ele, "a democratização da comunicação precisa ser compreendida como parte da luta por direitos, soberania e participação popular".
A Caravana do FNDC em Belém reafirma que o direito à comunicação não é uma pauta restrita aos profissionais da área. Trata-se de uma agenda democrática, social e popular, diretamente ligada à defesa da soberania, da liberdade de expressão, da diversidade de vozes e da participação cidadã em um cenário cada vez mais mediado por plataformas digitais.
Homenagem a Lúcio Flávio Pinto reconhece legado do jornalismo na Amazônia

Foto: Bruno Cunha (Facom/UFPA)
A programação também foi marcada por uma justa homenagem ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, em reconhecimento à sua contribuição histórica ao jornalismo na Amazônia. Referência na defesa da informação de interesse público, da investigação jornalística e da democracia, Lúcio representa uma trajetória comprometida com a denúncia de violações, a valorização dos territórios amazônicos e o enfrentamento das desigualdades sociais e ambientais que atravessam a região. Por questões de saúde, o jornalista foi representado por sua sobrinha, Clarice Brito Pinto Bittencourt, que participou das atividades em seu nome, reforçando o compromisso com a democratização da comunicação e a defesa do direito à informação.
A programação também foi marcada por uma justa homenagem ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, em reconhecimento à sua contribuição histórica ao jornalismo na Amazônia. Referência na defesa da informação de interesse público, da investigação jornalística e da democracia, Lúcio representa uma trajetória comprometida com a denúncia de violações, a valorização dos territórios amazônicos e o enfrentamento das desigualdades sociais e ambientais que atravessam a região. Por questões de saúde, o jornalista foi representado por sua sobrinha, Clarice Brito Pinto Bittencourt, que participou das atividades em seu nome, reforçando o compromisso com a democratização da comunicação e a defesa do direito à informação.
Estudantes da UFPA fortalecem incidência política da Caravana FNDC
Em Belém, um dos destaques foi o protagonismo dos estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (Facom/UFPA), mobilizados pelas professoras Elaide Martins e Rosane Steinbrenner. A presença ativa da juventude universitária deu força ao debate e evidenciou a importância da formação crítica em comunicação para enfrentar a desinformação, a concentração midiática, o colonialismo digital e os impactos sociais das plataformas.
A professora e pesquisadora, Elaide Martins, da Facom/UFPA, destacou que a ausência de uma regulação efetiva da comunicação abriu caminho para novas formas de concentração e dependência tecnológica. “Hoje, os conglomerados de mídia tradicionais se renderam aos algoritmos opacos das big techs, criando uma simbiose perigosa a serviço de interesses que muitas vezes colidem com a soberania nacional”, afirmou a pesquisadora.

Foto: Bruno Cunha (Facom/UFPA)
Para Elaide, discutir a comunicação a partir da Amazônia é essencial, porque a região tem sido diretamente atravessada pelos efeitos da expansão das infraestruturas digitais, dos serviços privados de conectividade e da exploração de dados. O debate apontou que a promessa de inclusão digital não pode servir de justificativa para ampliar desigualdades, vigilância e dependência de empresas transnacionais.
As atividades no primeiro dia (28) foram transmitidas ao vivo pelo canal do FNDC no YouTube
Acesse o calendário das próximas caravanas, no site: fndc.org.br
Cris Cirino
DiraCom